Construindo estratégias para vencer em qualquer crise

PREPARE-SE PARA CRESCER

Crise…

De acordo com o Dicionário Aurélio, crise significa manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio; estado de dúvidas e incertezas.

Qualquer crise, independente da proporção, carrega consigo tais incertezas. Na verdade, muitas incertezas que já existiam, mas que por não estarem manifestando, ou pelo menos evidenciando tal ruptura de equilíbrio nos negócios, estavam sendo colocadas de lado, sem devida prioridade.

Na grande maioria das vezes, as crises trazem à tona as fragilidades, as forças restritivas e as carências das organizações.

Acontece que, ter que reforçar estas fragilidades e sanar as carências em meio à crise, a tarefa fica ainda mais árdua. Decisões precisam ser tomadas a “toque de caixa”, por vezes sem análises um pouco mais técnicas, levando-se em consideração a emoção e a necessidade de ter que “dar uma resposta de curto prazo aos chefes ou sócios”.

Uma coisa é trocar o motor de um avião, outra absolutamente diferente, seria trocá-lo em pleno vôo.

Se repararmos, podemos observar que as razões das crises vêm se modificando e até mesmo evoluindo. No início dos anos 60, por exemplo, tínhamos problemas com a educação, onde a grande luta era o enorme número de analfabetos existentes em todo o país. Atualmente continuamos com problemas na educação, mas com boa parte da questão do analfabetismo resolvido, a discussão passa a ser sobre a quantidade e qualidade dos cursos de Graduação e Pós Graduação.

Não saberia dizer se os desafios estão aumentando, mas certamente a busca pela excelência e qualificação em todos os segmentos está exigindo respostas e soluções mais qualitativas e profundas.

Nas décadas de 70 e 80, as empresas costumavam passar pelas crises debruçando-se mais veementemente nos cortes de custos e despesas. Demitir verticalmente 15% da folha de pagamento, cortar despesas de café e energia, suspender contratações, diminuir cópias eram atitudes rotineiras.

Hoje em dia, boa parte das empresas já está mais do que “enxuta”, algumas estão “desidratadas”, não tendo muito que fazer em relação à dispensas de pessoal, salvo o percentual referente à queda de produção pontual em função da crise do momento. E é claro que todos param para rever seus quadros.

Acontece que atualmente, depois de todos os cortes, instalações de programas de qualidade e produtividade, softwares e modelos de gestão, a necessidade de superar as crises vai se tornando tarefa cada vez mais desafiante e criativa.

Pessoas realmente como diferencial competitivo:

Tenho conversado com muitos líderes e empresários de diversos segmentos e costumo ouvir muitas histórias sobre os grandes projetos de negócios que possuem “na gaveta” e que infelizmente não podem colocar em prática. Falam de seus projetos de maneira esfuziante e altamente motivada, mas ao final, quando perguntados das razões de não colocarem tal projeto pra frente, a resposta é de que não possuem gente preparada para delegar esta missão e que eles próprios não teriam tempo para dedicar-se a mais esta “frente”.

É no mínimo interessante e contraditória esta situação, porque na crise as empresas estão perdendo faturamento e o número de desempregados aumentando. Algumas empresas, não resistindo, estão fechando as portas.

E estes projetos? Será que não temos pessoas realmente qualificadas para “tocar estas oportunidades”?

Aqui vão algumas questões para reflexão:

– Os empresários e gestores estão exaustos de tanta burocracia, das dificuldades operacionais e legais para cumprirem. Faz-se necessário e é premente que os relacionamentos e entraves com as legislações sejam mais “friendly”, ou seja, mais fáceis e ágeis.
– A concorrência está cada vez mais acirrada, mas ela é benéfica do ponto de vista de “empurrar” o segmento para a competitividade.
– A necessidade de inovar em produtos e serviços para encantar os clientes cada vez mais exigentes desafia integralmente o tempo das estruturas, o que também é ótimo para todos.

Mas tem um ponto que está requerendo cada vez mais atenção: o desenvolvimento das pessoas.

Na verdade, as empresas não têm mais tempo para esperar que os funcionários se desenvolvam, elas precisam tomar para si esta responsabilidade, por tratar-se de parte fundamental da estratégia do negócio.

No processo de planejamento de metas, as empresas debruçam-se em entender as oportunidades, barreiras de entrada, atividades da concorrência, capacidade de produção, entre outras, para poderem traçar as metas do período à frente. Esquecem-se, portanto, de diagnosticarem, em que as pessoas precisam ser treinadas para que consigam realizar tais metas.

É simples, se a empresa ainda não atingiu determinada meta, uma das causas certamente é a falta de competência. E tais competências precisam ser identificadas e desenvolvidas nas pessoas.

Diversos modelos de gestão de pessoas estão sendo utilizados pelas empresas. A gestão por competências vem ganhando mais destaque, porque além de suas evidentes qualidades, foi o modelo escolhido pelo Brasil na atualização da ISO 9000 no ano de 2000.

Depois de traçadas as metas, entender clara e objetivamente quais as competências que são necessárias para que cada funcionário possa aprimorar-se de forma que consiga “fazer a sua parte” para que a empresa como um todo atinja seus objetivos.

E mais: saber exatamente em que e como avaliar, treinar a equipe e contratar os próximos, cada vez mais adaptados às necessidades do negócio.

Mas o grande desafio, já que este esforço se permeia por toda a organização, é formar líderes que possam fazer coaching com seus subordinados. Coaching também é um modelo de gestão de pessoas que está se instalando na cultura brasileira há pouco tempo, apesar de já ser uma ferramenta utilizada em outros países há mais tempo.

O coaching permite que os gestores possam desenvolver um a um os membros de sua equipe, de maneira objetiva e altamente produtiva.

Muitas necessidades de desenvolvimento esbarram na dificuldade de serem sanadas através de cursos ou palestras, por serem habilidades que necessitam interferência no dia a dia.

Onde encontrar um curso para que uma pessoa torne-se organizada, por exemplo? Ou ainda como desenvolver liderança ou iniciativa?

Estas competências, chamadas comportamentais, têm muito mais chance de serem desenvolvidas através dos próprios gestores, se preparados, implementar com sua equipe.

Quando o gestor passa por um processo de formar-se como um Coach, ele indiscutivelmente desenvolve sua própria capacidade de liderar, já que o processo o ensina outras formas de ver as situações.

Alguns aprendizados do Coaching aos gestores:

– Identificar a maturidade de seus subordinados;
– Reconhecer os estilos de liderança adaptáveis a cada nível de maturidade;
– como fornecer feedback sem aconselhar, gerando desenvolvimento;
– fazer as pessoas trabalharem voltados para seus próprios objetivos, inspirando e comprometendo a equipe na direção do propósito da organização;

A organização que tem seus líderes envolvidos com este compromisso gera uma cultura de desenvolvimento, que aprende a todo o momento e que se mantém mais preparada para os desafios e oportunidades que se apresentam a cada instante.